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MILAGRE!!!

Pode acrreditar.  Não estou mentindo; não estou sonhando.

No encontro das ruas Homem de Mello e Pinto Gonçalves, Perdizes, está o bar Três Irmãos , bem botequim de esquina mesmo.  Recoste-se na cadeira para ler essa bomba:  nesse bar não há televisão!!!

Raimundo, o irmão presente, receba e transmita  para toda a família   parabéns do fundo do meu coração, tímpanos e olhos.

Jogos começam Tarde Por Causa da Novela e Gabriela Telegráfica, Graças ao Futebol

Todo mundo sabe que Jogos de Futebol começando às 22 hs e terminando meia-noite, meia-noite e pouco, trazem muito mais riscos  de violência do que se eles começassem mais cedo.  E eles não começam mais cedo por uma única razão:  por causa da Novela da Globo (aquela que se chamava novela das oito).

Seria muito mais lógico que não houvesse novela às quartas-feiras e os jogos  começassem em horário adequado,  considerando a questão da segurança e também do trâsito.

Não satisfeita em  submeter a sociedade a mais esse risco, a TV Globo ainda faz outro gracejo às quartas-feiras:  o capítulo da série Gabriela, nesse dia, é muitíssimo resumido, apresentado em um único bloco.  Risco para a população e falta de respeito com os telespectadores.  Às quartas-feiras ninguém escapa da Globo!!!

PINDURA – VOCÊ SABE O QUE É???

Pindura, como se sabe, ou melhor, como sempre se soube, é/era tradição dos Estudantes de Direito do Largo de São Francisco de no dia 11 de Agosto jantarem ou almoçarem em bons restaurantes e não pagarem a conta.

Escrevi como se “sabe/soube e é/era” , pois dando uma pesquisadinha rapidíssima pela Internet,  vi que ultimamente a coisa tem terminado em Delegacias e também não ouço  mais  relatos de Pinduras recentes.

Há muiiiitos  anos, fui convidado por dois casais de Estudantes de Direito do Largo  São Francisco para fazer reportagem do Pindura que iriam dar, e de fato deram, no Paddock Jardins.

A reportagem saiu no formidável Suplemento Dominical da Folha de São Paulo – FOLHETIM. Naquele tempo, escrevia-se à  máquina.  Pesquisei no Banco de Dados da Folha. Luis Carlos e Renan, que lá trabalham,  tiveram imensa boa vontade em me ajudar, mas constatamos que havia apenas o Arquivo salvo em programa que não me permitiria fazer qualquer acerto, coisa absolutamente impossível, passado tanto tempo.

Tive que copiar, letra por letra, tudo o que escrevi.

Curtam muito, já que me deu trabalho danado.   Coloquei outro texto aqui, sobre o Papel do Herói na História, publicado originalmente no Jornal da República, de curta existência do grande Mino Carta.  Também tive que digitar novamente o texto e os erros de digitação foram inúmeros. Se quiser ler o texto do Herói, clique aqui. Tenho certeza de  que novamente os erros  serão inúmeros, mas vale a pena ler porque é  divertido.  Em tempo, um jantar desses  para cinco pessoas, nos dias de hoje, em restaurante similar, não sairia por menos  de R$ 1,500,00.  As outras cifras que menciono, não tenho como calcular.

Repito, perdoem os erros de digitação.  Lá vão:  os textos e os erros.

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Aconteceu no fim de semana passada no Paddock Jardim, que, segundo os entendidos, é o melhor e mais caro restaurante de São Paulo.
Todos os jovens que estavam sentados à mesa do canto do salão que dava vista para sossegado jardim já haviam tomado café e esperavam apenas que Dimas desse fim daquele licor.  Mas ele não tinha pressa. Acendeu um cigarro e passou a fazer elogios ao Paddock.

– Esse sim é um restaurante digno da burguesia.  O Dinho´s, onde jantamos ontem,  eu consideraria apenas de classe média alta.

Quando finalmente chega a conta, Marcos Vinicius, Glória e Valderez estavam ansiosos para saber quanto tinham gasto e pedem que Dimas fale logo:

– Três mil e duzentos cruzeiros,  pessoal!!!

Mas ninguém ficou impresionado.  Dimas, que é o atual presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, chamou o Maître e disse:

– Nós somos estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e não vamos pagar a conta.  É um Pindura.

Um funcionário que trabalha na Faculdade de Direito há quarenta e quatro anos garante que quando ele chegou ali, o Pindura já era uma instituição antiga.  Há várias versões de como esse costume tenha se iniciado.

Segundo alguns ex-alunos, antigamente, no tempo em que todo mundo conhecia todo mundo em São Paulo, que os restaurantes eram poucos e sempre freqüentados pelo mesmo pessoal, a situação era completamente outra. No dia 11 de agosto, os próprios donos de restaurantes, em homenagem aos estudantes, concordavam que eles não pagassem suas contas.  Depois, conforme a cidade foi crescendo, esse clima de cordialidade foi desaparecendo.  Tanto assim  que no dia 11 de Agosto muitos restaurantes passaram a fechar suas portas.

Havia um, entretanto, que nunca deixou de funcionar no dia 11: o Ponto Chic.  Esse bar, depois de várias décadas de existência,  com seus famosos sanduíches, acabou  definitivamente em abril deste ano.

(A última noite foi em grande estilo.  O Ponto Chic, numa sexta-feira, dia 14, ofereceu bebida grátis a todos os presentes.  A despedida, na verdade,  deveria ter sido no sábado, nas para esse dia, segundo “Nélson Gonçalves”, gerente há vário anos, não havia mais nenhuma gota de chope ou uma fatia de rosbife)

Muitos ex-estudantes da São Francisco contam que quase todo mês faziam um empréstimo com seu Joaquim, que trabalhou como gerente da casa (antes do “Nélson”) por mais de 35 anos.  Era por essa e por outras que ninguém jamais  ousou, ou mesmo imaginou,   dar um Pindura ali.  E os proprietários sabiam disso, tanto é que não tinham receio de abrir a casa no dia  11 de agosto.*

Mas se havia estudantes que respeitavam o Ponto Chic e poupavam-no de Pinduras, tinha o oposto.  Era famoso um sujeito da São Francisco que, além de dar Pinduras toda hora em restaurantes, ainda aplicava o mesmo método em magazines, sapatarias, livrarias, etc.  Ele se servia e corria.  Um advogado, que preferiu não se identificar, contou ainda que um amigo seu de também um Pindura inédito:  num bordel.

Bom, mas antes do Ponto Chic, do inveterado pindurador e do mulherengo, estávamos naquele pedaço que os restaurante passaram a fechar suas portas no dia 11 de agosto para evitar prejuízos.  Mas é como diz a sabedoria popular, “o primeiro chaveiro apareceu logo depois que inventaram o cinto de castidade”.  Em relação ao Pindura, não foi diferente: se os restaurantes fecham  no dia 11, não há problema.  Dá-se Pindura uma semana toda.

Quer dizer, até 1976 estava sendo assim, do dia 4 a 11 era a Semana do Pindura.  No ano passado, quando foram comemorados os 150 anos de existência dos Cursos Jurídicos no Brasil, houve onze dias.  E esse ano, o período também será igual ao de 77, em homenagem aos 75 anos da Fundação do Centro Acadêmico 11 de Agosto.

– É algo que todo estudante do Largo preza.  É a única hora em que não aparece nenhuma divergência política – explicou Dimas.

Todos os estudantes realmente prezam, mas não são todos que o praticam.  O professor Gofredo da Silva Telles garante que em seu tempo de  Faculdade nunca deu um Pindura “porque esquecia” e também por ser muito tímido, mas que fez questão de dizer que não era crítica àqueles que cultivavam esse costume.   Outro político em evidência que também estudou no Largo de São Francisco garante nunca ter dado um Pindura:

– Vontade eu sempre tive, mas na hora faltava coragem.

Tanto Gofredo como esse outro político devem fazer parte da minoria absoluta, pois segundo contou Dimas, só esse ano o Centro Acadêmico rodou mais  2.500 “ofícios de agradecimento” que serão entregues nos restaurantes ao invés do dinheiro.  São três tipos de Pinduras:

•    O Primitivo, o mais simples de todos: come-se e corre.

•    O clássico: o pessoal depois de jantar faz um discurso, entrega o “ofício” e convida o proprietário do restaurante para jantar no Centro Acadêmico, para que se possa fazer uma “retribuição”.

•    O terceiro é o diplomático: um grupo vai antes, reserva alguns lugares, entrega o ofício e o restaurante recebe os alunos, após  a combinação prévia:

– Nós apoiamos o Clássico, que é aquele que realmente deve ser preservado.  O Diplomático é pouco praticado e o primitivo está em extinção. – contou Dimas.

Mas para que o Clássico dê resultado, uma coisa é indispensável: o restaurante estar cheio:

– Logo no começo da Semana do Pindura, um pessoal foi ao Golden Dragon, comeu e fez discurso.  Acontece que não havia outros freqüentadores no restaurante e os garçons fecharam as portas e partiram pra cima dos estudantes  na base do Karatê.  Foi um Deus nos acuda.  Depois eles chamaram a polícia, lembrou Glória.

O Pindurador pode, por lei, ser enquadrado como estelionatário, mas isso quase nunca acontece.  Quando o negócio acaba em Delegacia, é feito um Boletim de Ocorrência e eles são dispensados em seguida, sem maiores aborrecimentos.

Eu, que fora  convidado por Dimas para cobrir aquele Pindura para o Folhetim e que não queria aborrecimento algum, já fui  avisando aos estudantes  que pagaria a minha parte.  Mas entre eles havia a maior descontração.  Os quatro estavam muito bem vestidos e até se confundiam com “executivos” que andam tão em moda ultimamente.

Tanto é verdade que o porteiro, maître e o barman do Paddock atendiam o grupo com  a mesma atenção que dispensavam às outras mesas.  E os estudantes não se traíam.  Seguiram todo o ritual do bom grã-fino em restaurante: passaram pelo bar e experimentaram os coquetéis que o maître indicou; antes do prato principal, pediram entrada; depois,sobremesa, café e licor.

Ninguém estava nervoso. Muito pelo contrário, a situação na mesa dos estudantes estava até engraçada.  Uma das meninas, depois  do segundo coquetel, foi ao banheiro e  na volta comentou:
– Puxa!   Mas até o banheiro da burguesia  é outra coisa, hein?!

Marcos, que tinha apenas 75 Cruzeiros no bolso, estava escolhendo:

– Vamos comer lagosta?  Perguntou ao resto do  grupo.
(só a Lagosta custava 295 Cruzeiros)

Dimas respondeu com superioridade que  não gostava de lagosta e que comeria um “Filé à Paddock”. Uma das meninas escolheu camarão a Thermidor e a outra optou por um coelho regado ao vinho branco.  Os quatro juntos não tinham mais do que  310 Cruzeiros, que seriam destinados ao garçon.

Não fizeram questão de vinho francês e se contentaram com duas garrafas de chileno branco e outra de chileno tinto.  As entradas, todavia, não foram dispensadas: castigaram fundos de alcachofra e casquinhas de siri.

– Isso sim é que é vida, hein? Uma comida dessas, vinho bom e  musiquinha suave ao vivo.

Essa “musiquinha ao vivo”, segundo contou Luís Paduan, pai do proprietário do Paddock, custa mais de sessenta mil cruzeiros por mês.  As despesas gerais(luz, impostos, salários, etc), sem contar a matéria prima, custam ao Paddock mais de 35 mil cruzeiros por noite.

Bem, mas voltando aos Pinduradores.  Na passagem pelo bar, foram devorados uns três pratinhos de mandioca frita e bolinhos de bacalhau, mais um de amendoim e outro de azeitonas.  Quando vieram os pratos principais, nem sequer havia mais aquele entusiasmo da chegada.  Mas isso de maneira alguma perturbou o apetite dos acadêmicos, que em três tempos não deixaram uma migalha em seus pratos. Para acabar com a sensação de vazio,  pediu-se rápido a sobremesa: três mousses de chocolate.  A essa altura do campeonato, não havia mais aquele sossego do início, mas nem por isso deixou-se de tomar café e, Dimas, por seu lado, não dispensou o licor.  Finalmente,  a nota.

– Nós somos estudantes da São Francisco e não vamos pagar essa conta.  É um Pindura.

É agora, pensei. Mas qual nada, a resposta do maître deixou todos boquiabertos:

– Pois não. Vocês poderiam me dar suas carteirinhas, para que eu anote os nomes  e dê baixa na seção de perdas da contabilidade?

Eu expliquei que pagaria a minha parte, pois fora  convidado para cobrir o Pindura para a Imprensa, mas o maître aceitou de maneira alguma e disse     que era uma homenagem à imprensa.  A discrição dos funcionários foi tanta que nenhum dos outros fregueses percebeu coisa alguma.

O sr. Paduan não estava chateado e disse que preferiria ter combinado antes (referindo-se ao Pindura Diplomático).  Ele explicou que sua casa é bastante sólida e pode sofrer um prejuízo como aquele.  A superioridade com que recebeu o Pindura era,  sobretudo, uma atitude comercial.

– Amanhã esse pessoal volta aqui como freguês com os clientes dos seus escritórios e a gente recupera tudo e tem até lucro.  É um investimento a longo prazo.

Enquanto conversava comigo,  Paduan mandou oferecer água mineral. Ao fim da noite deu um abraço em cada um dos Pinduradores.

Depois do êxito desse Pindura foi que passei a entender melhor o verso do Poeta Domingos de Carvalho da Silva, que estudou na São Francisco e que, provavelmente, também deu alguns Pinduras:
“11 de agosto, eu te quero trezentas vezes por ano”
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* De fato, o Ponto Chic permaneceu fechado alguns poucos anos.  Reabriu,  abriu filiais, mas, pelo menos na minha opinião, não é a mesma coisa.  Hoje tem até televisão ligada, sorvete e mais  pequenos detalhes inconcebíveis em outros tempos.

Locutores, Nada de Lugar Mais Alto no Pódium!!! Por Amor a Machado de Assis!!!

Alguém já disse,  a respeito do uso de uma determinada expressão da qual também não me lembro, o seguinte:

– O primeiro a dizer  essa  expressão foi um gênio; o último,  um idiota.

Eu peço que locutores esportivos empenhem todas as suas forças para  falar nessas Olimpíadas e daqui para todo o sempre: o atleta x conquistou o primeiro lugar;  e não o atleta x conquistou  o lugar mais alto do pódium.

Isiossincrasia minha???   Acho que não.  A tendência  de todo idioma é ser econômico – primeiro lugar é sucinto; lugar mais alto no pódium, além de babaquice,  é esparramado, desperdício morfológico (perdão pelo pedantismo; aliás, sei lá se isso existe),  chavão, cafona.

Para terminar, frase minha:

“Tente até me passar um xaveco, mas não me repita um chavão.”

Não Banho e Mesquinhez Inglesa

Inglaterra/Londres parece que vão dar show de organização durante as Olimpiadas.

Há quase 40 anos morei na casa de Família inglesa, pagando pela hospedagem.

Já relatei aqui essa experiência.  Como Ingleses vão estar no Centro do Mundo, publico novamente.

Chamam a atenção o quanto eles não gostam de banho e o quanto gostam de dinheiro. O verbo gostar aqui utilizado no seu pior sentido. Ou seja, o gostar de dinheiro, como sinônimo,  particular (não estou dizendo que todo inglês é assim),  de falta de seriedade. Já  o não gostar de banho, aí é falta de higiene mesmo, não tem eufemismo, tampouco parece ser exceção; é regra!!!  Na ocasião em que publiquei,  mais de 50 leitores comentaram, reafirmando o que eu dizia.  No final do texto, deixo link para comentários dos leitores na época.

Lá vai:
Meu post de anteontem sobre barbas, barbudos, banhos de banheiras e não banhos de ingleses recebeu  vários – para os padrões do Boca,  naturalmente – comentários.

Costumo responder cada comentário individualmente.  Para facilitar a coisa e também por  ter percebido que o assunto ingleses ainda não se esgotou,  retomo o tema; conto mais detalhes da minha experiência vivendo  na casa de  uma família classe média típica. Foi bem legal.  Mas notei que diversas coisas curiosas na rotina dos ingleses que também foram lembradas por alguns leitores. http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/24/barbudos-x-barbeados-banheira-x-chuveiro/

Durante os dois meses que passei lá em Bournemouth, cidade ao sul da Inglaterra, próxima a Londres, viajei todos os fins de semana. (saia  sexta à tarde e voltava domingo para dormir). Assim, a questão dos três banhos semanais a que tinha direito foi ligeiramente amenizada.

Ainda no setor higiene,  jamais vi algum dos donos da casa (um casal, mais a filha) com cara de quem tivesse tomado banho.  O único contato que presenciei deles com a água não foi dos mais agradáveis.

Uma noite, entro na cozinha e o que vejo???  O dono da casa lavando a cabeça na pia da cozinha.  Na volta ao Brasil, contei isso para meu pai, que comentou com um amigo nosso inglês.  Ele  garantiu que era normal, na Inglaterra, as pessoas lavarem a cabeça na pia da cozinha. O porquê disso não fica claro.  Como disse Caetano, “eu não consigo entender sua lógica.”  Entender ou não entender não tem importância.  Grave é usar a louça e comer comida lavada na pia que também serve para lavar cabeça,  e sabe-se lá se não deixei de ver coisas piores…

Um leitor do Boca fala, até de maneira rude, do mal cheiro das inglesas (leia no comentário do post de ontem)  Ele  está muito bem acompanhado. Famoso e prestigiadíssimo  personagem da política,  tido como mulherengo,  diplomata em Londres, ao responder a uma amiga se havia gostado das Inglesas, foi taxativo:

– São bonitinhas, mas muito mal lavadinhas…

Voltando à minha experiência com a família inglesa,  passo aos pequenos  truques, golpinhos que me aplicaram.

Paguei aqui no Brasil uma determinada quantia para a Escola que freqüentei e outra quantia que foi diretamente para a família que me hospedou.

Está mais do que implícito que um quarto alugado durante o inverno em uma casa na Inglaterra tenha calefação.  Pois não é que a dona de casa me disse que a calefação não estava incluída e que eu deveria pagar.   Não quis brigar e concordei. Ela me deu o valor semanal da calefação. Argumentei que pretendia viajar todos os finais de semana e que preferiria pagar por noite a calefação, quando eu, de fato, estivesse usando.  Ela não concordou.  Cobrava sempre por sete noites, embora só ligasse cinco vezes por semana.

Eu e o Javier, mexicano que também estava ali hospedado,  éramos apenas meios de a dona de casa, landlady, reforçar o orçamento.  Nada além disso.

Perguntou-me ainda se eu queria que ela lavasse minha roupa e já foi logo dando o preço.  Falei que era coisa relativa: como ela já podia dar o preço sem saber quanta roupa seria?  Ela foi clara: esse preço é para a quantidade de roupa  que pessoa normal usa por semana : duas camisas, duas meias e duas cuecas. Agradeci e disse que eu mesmo levaria para a lavanderia.

Curioso é que mesmo quando queria ser simpática e mostrar eficiência, ela era seca e até meio rude.  Elogiei bastante os ovos mexidos do café da manhã. (scramble eggs, certamente escrevi errado) de lá. Imediatamente, me responde:

– Às terças e quintas  (lembro-me que eram exatamente esses os dias) tem.

Sou cara extremamente justo, o que é certo é certo e, como já disse e repeti, detesto desperdício.  A dona da casa pediu que avisasse sempre com antecedência quando fosse viajar no fim de semana, para que ela não comprasse comida para mim.  Perfeito.  Nada de desperdício.

Meu pacote de hospedagem compreendia: quarto de domingo a domingo,  café da manhã e jantar de segunda a sexta e as três refeições do sábado e do domingo.

Como já  disse,  todos os fins de semana, viajei.  Ou seja, deixei de consumir sete refeições a cada fim-de-semana.  Passei lá seis semanas, logo foram  exatamente 42 refeições que, embora tenham sido pagas, não foram consumidas.

Uma noite, durante o jantar, ela me pergunta em que dia eu iria embora.  Falei que seria dali a dois sábados.  Ela diz:

– Pois bem,  o café da manhã do sábado em que você vai embora, você vai ter que me pagar porque a escola só me paga até sexta-feira.

Eu falava legal  inglês e entendi perfeitamente.  Mas, por segurança, confirmei em Portunhol com o mexicano Javier.  Pedi que não comentasse nada, mas lhe disse que iria denunciá-la para a escola. E a escola, muito provavelmente  iria descredenciá-la na mesma hora.  Se eu tivesse consumido todas as refeições previstas, perfeito que ela cobrasse essa extra.

Detalhe: alguns brasileiros levam lembrancinhas típicas daqui, um anelzinho de água marinha e outras besteiras baratinhas para a dona da casa..  Eu havia levado  três quilos de café da melhor qualidade,  panela própria para esquentar a água, bule, coador e xícaras de porcelana pintadas a mão.  Isso não vem ao caso.  O que conta é que eu deixei de consumir 42 refeições e ela quis me cobrar um ovo, uma torrada e uma xícara de café (aliás, que eu havia lhe dado).

A história acaba assim: fui-me embora na 6. Feira.  Deixei barato, não denunciei na escola e  não teve o quebra-pau anunciado. Nesse momento em que escrevo, acho que agi mal: devia ter denunciado.

Ingleses não são efusivos, abraços e beijos não jorram por lá com parte de cumprimentos.  Mas é lógico que depois de conviver um mês e meio, por mais frio que sejam todos os envolvidos,  na despedida, apertam-se as mãos e até um beijinho e abraço  fazem parte da coisa.

Eduardo e Marina, brasileiros que iam comigo ao Aeroporto e passaram em casa para me apanhar de táxi, ficaram impressionados porque, já dentro do táxi, limitei-me a um aceno com a cabeça de despedida.

Quatro anos após, morei cerca de quinze dias em casa de família americana.  180º  opostos.  Conto logo mais.

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Se quiser ler os comentários feitos na época em que publiquei esse texto, clique aqui Aproveite e também deixe sua opinião, nesta última edição do texto.

Shoppings Centers

Shoppings Centers paulistanos  enfrentando todo o tipo de problema com o poder público me fazem puxar a brasa para a minha sardinha, digo, frase minha.  Lá vai:

“Shoppings centers me proporcionam imensa alegra – quando saio”.

A bola da vez é o Frei Caneca  que, segundo a Folha de Hoje, deve ser fechado pela prefeitura a partir de amanhã.   Por ser o preferido dos homossexuais, esse shopping recebeu dois apelidos engraçadinhos: Frei Boneca e Gay Caneca

Na Moral, Mas Sem Querer Ser Muito Moderninho…

Anúncios pela programação da Globo informam que o Programa Na Moral, de Pedro Bial,  amanhã vai abordar  relacionamentos homossexuais, inclusive a adoação de crianças por parceiros  gays.

A respeito de  como  tratar um par homossexual, Danuza Leão lembra  que se deve agir com naturalidade, evidentemente, mas sem querer parecer moderninho demais.  Diz ela.

– Perguntas do tipo vocês não gostariam de ter filhos  devem ser esquecidas.  Já que um deles pode muito bem responder:  Nós estamos evitando…

Simples, não é mesmo???

Sábia Danuza!!!

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Apenas relembrando, pois já escrevi sobre isso, como se pode ver abaixo.

Sem Idiossincarasia??? Sem Graça!!!

Já cansei de dizer que assisto televisão e não sou daqueles que escrevem – estava passando na frente da TV e….

Talvez nem precisasse explicar,  já que comento com frequência  alguns programas.  Pois bem, pelo que deduzi, a mulata bonita da Novela Cheias de Charme era pobre e ficou rica.  Bem, mesmo se não for esse o enredo, não invalida o que vou dizer: ficou rica, mas continua falando Janta ao invés de Jantar.  Nem sei se janta é errado, mas é muito feio.  Frescura/idiossincrasia minha, pode ser, mas sem frescura e idiossincrasia, a vida não tem graça. Pelo menos para mim!!!

Marcelo Tas, Mais Nova Alternativa Para Vencer as Noites de Domingo

A fórmula para acabar com aquele sentimento de começo da noite de domingo que invade todo mundo – assistir a um filme leve e comer uma pizza depois – parece que ganha mais uma alternativa com o novo Programa do excelente Marcelo Tas, Conversa de Gente Grande,  na TV Bandeirantes, a partir das 20 hs,  aos domingos, naturalmente.

Gostaria de conferir, mas bem hoje, vou a um filme leve  Para Roma, com Amor, o último de Woody Allen-  e comer a pizza depois.  Infelizmente, não dá para fazer tudo. Domingo que vem assisto e tento comentar.

As Notícias, Péssimas, Como Sempre; A Apresentadora, Cada Vez Mais bela

Renata Vasconcellos e sua doce beleza com mais assiduidade  na  bancada do Jornal Nacional me obrigam a publicar novamente texto para o qual dei o título: Conjunção Adversativa e a Beleza da Apresentadora

Lá vai:

“Viajou sem Passaporte”, exemplo de sujeito oculto usado pelo  gramático Domingos Paschoal Cegalla,  deu nome a um grupo de estudantes da ECA-USP que fazia intervenções artísticas  no centro de S. Paulo, no final da década de 70.

“Os urubus são as aves mais feias do céu mas têm um belo vôo alçado e tranqüilo” era o trecho de uma crônica de Paulo Mendes Campos que o mesmo autor usava para explicar  conjunção adversativa.

“As notícias do Mundo no Jornal Nacional são quase sempre de matar, mas a beleza serena   da apresentadora Renata Vasconcellos  ameniza  muito todos os infortúnios.” É o exemplo atual que me ocorre para a mesma conjunção adversativa.

Quem há de discordar???