Arquivo da categoria: Casos

Você falou alguma coisa?

Um sujeito que eu não conhecia, através do Facebook, disse que gostaria de participar dos grupos de Microcontos dos quais faço parte.

Desdobrei-me e consegui. As responsáveis me disseram que a inscrição foi aceita em ambos.

Informei o sujeito, ele estava conectado; ou, em português, on line.

E a coisa ficou nisso mesmo, na minha mensagem informando sua inscrição.

Lembrei-me de episódio, que se passou mil anos atrás.

Amigo de meu pai, que, em em março, teria completado 101 anos, contava episódio formidável.

Ele estava no ônibus. Uma mulher, fora do ponto, dá sinal. O motorista se desdobra para evitar os carros que vinham atrás e consegue parar para que ela subisse.

Ela entra e vai se afastando em direção à catraca.

O motorista:

-A senhora falou alguma coisa?

Ela:

-Não, não falei coisa alguma.

Ele:

-Pensei que a senhora tivesse dito obrigado.

Os passageiros morreram de rir.

Voltando ao caso do “escritor”. Ocorreu-me perguntar se ele não havia me mandado alguma mensagem.

A resposta, evidentemente, teria sido não.

E aí, eu concluiria imitando o motorista:

-Pensei que você tivesse me escrito para agradecer meu empenho pela sua aprovação nos dois grupos.

Fico na torcida para que escreva direito. Sem educação e escrevendo mal, aí já é demais, concordam?

Cá entre nós, minha intuição diz que o cara escreve gato com j.

Parada Gay- Historinha Engraçada.

Esse ano não teve Parada Gay, mas tenho que manter a tradição do Trombone.

Há somente  dois textos  que repito todos os anos.

Esse a seguir, às vésperas da Parada Gay, e outro, próximo ao dia da Consciência Negra.

Deveria repetir mais alguns; ocorrem-me três: Sobre o Papel do Herói (próximo ao Sete de Setembro), uma coletânea de Epitáfios(absolutamente hilários),  Finados, e sobre Pindura – Prática dos Estudantes de Direito de  Jantarem em Restaurantes em Agosto e não Pagarem a Conta.   Ao final deixo os Links.  Por enquanto, Parada Gay:

Parada Gay, alguns  anos atrás. Desde a primeira, fui a algumas edições. Som legal, muita alegria e, além de tudo, não custa nada prestigiar. Lembro-me quando queriam bater o récorde mundial de público. Além do som, havia a meta a ser cumprida. Fui até mais para fazer número e ajudar no récorde, que acabou mesmo sendo batido.

Pois bem, em uma das vezes, de dentro do carro, perto da Rua Cubatão, onde, segundo meus cálculos, deveria estar a marcha naquele momento, pergunto para um grupo de gays que vinha caminhando se o pessoal ainda permanecia pelas redondezas. Eles me informam que a marcha já devia ter chegado ao ponto final, na República, onde seriam encerrados os festejos.

Pensando em voz alta, lastimo. Um deles consola:

– Não desiste, não. Corre lá, quem sabe cê ainda não arranja um namoradinho!!!

Divertindo-me muito, nos dias seguintes, contei para todo mundo o episódio.  Meu pai riu muito!

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Conforme o Prometido, link dos textos que deveria postar todos os anos.

Papel do Herói, clique aqui

Para se divertir,

Pindura, clique aqui

Epitáfios, clique aqui

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Tenho postado pouca coisa aqui  no Trombone, mas estou escrevendo muitos microcontos.  Preciso ir passando esses textos pra cá.  São legais.  Deixa eu pegar fôlego.

De qualquer forma,  estou contente de não ter mantido a tradição desse post nessa data aqui no Trombone.

Imensas Pingas, Imenso Tombo

Logo mais, Fórmula 1 no Brasil.

História espetacular de parente próxima minha relacionada ao tema e mistério envolvendo essa mesma parente.

Sempre muito bonita, sensual, e na Vanguarda. Sempre! Desde os quinze, dezesseis, anos de idade. Foi uma das primeiras mulheres a usar mini-saia em São Paulo. Aliás, mini-saias muito generosas.

Quando o musical Hair chegou ao Brasil, aí já devia ter uns 20 anos, ela posou nua para o cartaz da Peça, uma foto em auto-contraste (não sei se é esse o nome técnico correto), em que os traços do rosto não ficavam muito bem definidos.

Descolada, foi aos treinos da Fórmula 1, nos boxes, naturalmente, em Interlagos, no final dos Anos 70. O piloto, François Cevert, considerado o homem mais bonito do mundo, que viria a morrer um ou dois anos depois, encantou-se por ela. Resumindo, acabaram transando.

Infelizmente, não foram só grandes pingas (glórias) na vida dela. O imenso tombo: há alguns anos, está desaparecida. Ninguém sabe notícia alguma a seu respeito. Com frequência, lembro-me dela e faço pensamento positivo. E se ela não estiver mais viva, que, de vez em quando, com certa regularidade, lá no Céu, dê uma transadinha com o François Cevert!

Resultado de imagem para françois cevert

Éder Jofre e Elis Regina, na Globo; Aqui, Dois Casos Legais

Logo mais, na TV Globo,  estreiam  Minisséries sobre Éder Jofre e Elis Regina, ambas em quatro capítulos.  Aliás, deveria haver muito mais teleteatros como esses – sobre nossas grandes personalidades e, principalmente, curtos – quatro episódios.

Dois casinhos, para não perder a oportunidade.

Amigo meu, cerca de vinte e poucos anos mais velho do que eu, sempre gostou de boxe.  Quando era jovem e estava no tablado, o  técnico disse que ele fosse treinar com aquele pugilista que estava no outro ringue.

O outro pugilista não deu um direto , deu um jabsinho, que desmontou meu amigo.  Nome do outro pugilista – Éder Jofre.

A respeito de Elis, posto abaixo novamente  o texto, cujo título é:

ELA ME DEU UM BEIJINHO.

Lá vai:

Clóvis, amigo do meu pai, era arquiteto de bom gosto e elegância impressionantes.  Morava em uma casa térrea que ocupava quase um quarteirão inteiro,  atrás do Shopping Iguatemi, naquela época, década de 60, antes da invasão de prédios e a marginal se tornar o que se tornou, era  região bem tranqülia.  Detalhista,  mandou colocar,  próximo à janela do quarto do filho,  uma folha de zinco, salvo engano, para que a chuva produzisse som agradável  que embalasse  sono e sonhos do jovem. Havia dentro da casa um espelho d´água mágico.

Chris  Montez, cantor americano, ficou famoso mundialmente por regravar  The More I See You, música de sucesso de décadas anteriores.  Depois gravou Call Me e Suny.  Estava no Brasil, nessa época do auge da carreira.  Clóvis e Lúcia, sua mulher, ofereceram um coquetel para ele.  Embora eu fosse garoto, fui convidado.  Montes era a vedete da noite, mas havia outros artistas.  Entre eles, Elis Regina.  Naquele tempo não existia  o termo tietar, mas eu  estava firme sentado  ao seu lado acompanhando atentamente  tudo o que  dizia.

Elis terminou o primeiro prato de estrogonofe que o garçon havia lhe trazido, mas ainda estava com   fome.  Perguntou para mim se eu não podia pegar mais um pouco de estrogonofe para ela e recomendou que eu mesmo fizesse o prato porque queria bem pouco mesmo.

Quando volto, entrego-lhe o estrogonofe na medida certa para saciar aquele resto de fome, ela agradece:

– Ah, que bonzinho que você foi.  Merece até um beijinho.

E me deu o beijinho!!!

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Ouça The More I See You com Cris Montes – Clique aqui

Ouça Atrás da Porta, do Chico,  na Emocionadíssima interpretação de Elis – Clique Aqui

 

Arnaldo Cezar Coelho e Armando Marques

Arnaldo Cezar Coelho, em sua despedida hoje da função de comentarista de arbitragem da TV Globo, disse que o melhor árbitro do futebol foi o saudoso Armando Marques.

Sobre Armando Marques, dois episódios, ambos já postados aqui no Trombone.

Numa decisão por pênaltis, no Final do Campeonato Paulista de Futebol de 1973, entre Santos e Portuguesa, o Santos vencia por 2×0. Ele deu por encerrada as cobranças e o título para o Santos. Acontece que restavam dois pênaltis ainda a serem batidos e a Portuguesa, teoricamente, poderia empatar. Por conta desse erro, o título foi dividido entre os dois clubes.

Ah, sempre é bom lembrar os que conheceram e informar quem não viu Armando atuar.  Ele era famoso por ser muito enérgico e também por seus trejeitos delicados.

A propósito dessa característica, episódio divertido.

Amigo do aristocrata e grande costureiro Dener, que morava nas imediações do estádio do Pacaembu, Armando, sempre após apitar jogo ali, ia à casa dele para uma cerveja.

Em um desses jogos, provavelmente após algum erro acompanhado dos famigerados trejeitos, as arquibancadas gritam sem parar:

– BICHA, BICHA, BICHA!

O mordomo do amigo vira-se para o patrão e diz:

– Seu Dener, acho melhor eu já colocar a cervejinha do seu Armando no gelo!

Boa sorte a Arnaldo Cézar Coelho em suas novas empreitadas.

Haja Nariz Para Tanta Cocaína!

Começa  hoje, em Nova York,  o julgamento do traficante mexicano Joaquín Guzmán, El Chapo, em Nova York,   “acusado  de liderar o maior cartel de drogas do mundo e de enviar entre 155 e 200 toneladas de cocaína aos Estados Unidos durante 25 anos.”

A propósito dessa fabulosa cifra – 155/200 toneladas –  de cocaína, episódio curioso, já relatado aqui.

Apostador de loteria havia ganho sozinho belíssimo prêmio. Na redação de um dos mais importantes  jornais do Brasil,  o diretor e alguns jornalistas relatavam  o que fariam com o dinheiro.  Era aquele festival de sonhos  classe média (da qual, esclareço,  faço parte).  Comprar uma casa de praia, aplicar na poupança, trocar carro, comprar geladeira nova.  Lá pelas tantas,  super prestigiado colunista, foi taxativo:

– Pois eu comprava tudo em cocaína.  Não teria que pensar nesse assunto até o fim da minha vida.

Fico imaginando o cara com 155-200 toneladas ao dispor dele.

A fera já morreu.  A notícia boa é que  celebradíssima estrela de cinema internacional era absolutamente apaixonada por ele.

MEU QUERIDO E SAUDOSO PAI

Quando meu pai morreu, há quase cinco anos,  postei aqui no Trombone um texto em homenagem a ele e alguns outros em que ele era personagem central, além de suas frases dele.   A respeito das frases, na ocasião, uma leitora comentou: “agora já entendi, filho de peixe, peixinho é”.

Em homenagem ao dias dos pais, posto novamente.

Então, pra começar, as frases. Depois, duas crônicas minhas e, para terminar, belíssimo Poema da  querida Roberta Estrela D´Alva, que ela leu ontem na abertura do Zap e dedicou à memória do meu paizito.

As frases dele;   curioso, que bem a primeira é sobre velório.

  • O velório é a única solenidade em que o homenageado está impedido de se manifestar.
  • Minha mãe foi a última dona de casa que conheci.
  • “Nossos problemas acontecem porque nos levantamos da cama.”  Alguns,  porque nos deitamos na cama.
  • Com um ponto de apoio, Arquimedes seria capaz de levantar o mundo; com apoio moral, entretanto, não se levanta nem pensamento.
  • Se Deus fosse mesmo brasileiro, imagina  o que seria do Mundo!!!
  • O sujeito velho tem muita coisa pra contar e mais ainda para não contar.
  • O pior da festa é esperar por ela.
  • Quem canta seus males – Espanta!!! – É diferente do que já existe,  observe a pontuação.
  • Para Bolsa de Valores  despencar, basta um peido mais forte no pregão. (apesar de ele, tampouco eu, jamais termos aprovado o mau gosto, a frase é boa e verdadeira.)

As frases acabaram-se.

Agora os episódios que são o retrato escrito dele, pintado/digitado  por este escriba,  que tão bem o conhecia.

Episódio 1: Hiram, Édipo e Genoefa

Os amigos do meu pai dos tempos de São Francisco o definiam assim:

– O Hiram entra no restaurante e já vai logo pedindo, de uma só vez, filé bem passado com fritas, coca-cola, pudim de caramelo de sobremesa e troco para 10 mil Réis.

Quando eu ainda morava com ele, chego em casa e ele me diz:

– Paulo, o Mário ligou e disse que o pai do Fábio morreu.

Eu perguntei onde era o velório. Meu pai disse que o Mário não falou nada sobre velório. Ligo pro Mário e pergunto se ele estava a fim de me encher para deixar um recado que o pai do Fábio morreu e não informar onde era o velório.

O Mário reproduz para mim o diálogo com meu pai:

– Dr. Hiram, tudo bem? O Paulo está?
– Não, o Paulo não está!!!
– O senhor diz para ele que o Pai do Fábio morreu.
– Tá bom, eu digo!!!
– Mas dr. Hiram….
– Já entendi, o pai do Fábio Morreu
– Mas dr. Hiram…..
– Mário, eu não sou burro. O pai do Fábio morreu. Tchau!!!
E bateu o telefone (meu pai é muito educado; a aflição, entretanto, é infinitamente maior…)

Faz uns 25 anos que não moro mais com ele. Ou seja, isso se passou um quarto de século atrás. Imaginem, pois, como está o homem hoje, aos 86 para 87 anos de Idade!!!!

Esqueci de falar, talvez tenha ficado ansioso por osmose – o teclado por estar escrevendo sobre meu pai me passou ansiedade – meu pai é um sujeito brilhante, muito inteligente, lê bastante e usa o computador como um garoto de quinze anos.

Genoefa é a versão feminina e bem mais jovem do meu pai. Eu a conheci – há uns três anos – na entrada dos cines Belas Artes. Eu ia a um filme e ela, a outro. Trocamos meia dúzia de palavras. Na saída, eu devo tê-la impressionado muitississississimo mesmo porque ela estava me esperando. Genoefa e meu pai não são de esperar!!! Coisa alguma, pessoa alguma!!!!  A aflição os mata a ambos. São daquele tipo de pessoas que se jactam de fazer no mínimo três coisas ao mesmo tempo. Eu, ao contrário, fiz foi uma frase sobre isso:

Duas coisas fáceis ao mesmo tempo tornam-se difíceis e uma delas sai errado.
Outra coisa em comum – essa muito favoráveis aos dois, pois prova que são de muito bom gosto:

Eles têm uma “obsessão obsessiva” por mim!!!!

Parece divertido, né???? Mas queria ver qualquer outro no meu lugar !!!

Liás (sem aspas) Genoefa acabou de telefonar neste exato instante em que eu escrevia esse parágrafo – não tinha novidades, mas ficou 15 minutos falando!!!

Tivemos um namoro rápido e uma amizade colorida (essas coisas não terminam, né???).

O dia em que a Psiquiatria/Psicanálise descobrir meu pai, a Genoefa e eu, seremos colocados em uma espécie de carro forte de banco para que nada nos aconteça até que seja estudado exaustivamente o fenômeno que me acometeu:

Envolver-me – não com uma mulher que lembre minha mãe – mas com uma que é meu pai terminado.

Eu sou um Édipo Viado!!!!!!!!

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Episódio 2 – EDMUNDO

De 21.09.06

Segunda-feira, há alguns anos, por volta das 13 horas.

No Domingo, o Edmundo fora expulso com toda a pompa que seu nome requer. Muitas pernadas pra todo lado, um monte de polícia pra retirá-lo do campo, mais tentativas de pernadas nos policiais e assim por diante. Não tenho nada contra esportistas irreverentes, audaciosos e temperamentais. Pelo contrário, sou fã do John McEnroe, Nélson Piquet, entre outros. Também admiro esportistas bem comportados, é verdade. Aliás, faço restrição a poucas celebridades. Jogador de futebol, propriamente dito, só me lembro de um que realmente não agüento. Um dia posso escrever alguns episódios sobre ele.

Voltando ao Edmundo e àquela segunda-feira.

Estava com meu pai em um super-mercado de porte médio. Meu pai foi pagar as contas dele em um caixa e eu estava no caixa diametralmente Oposto. Meu pai é um homem de 85 anos, de ótima cabeça e das pessoas mais educadas do mundo. Fala muito alto, como todo velho, é verdade. Apesar de extremamente educado e tratar os humildes com imensa consideração (aliás, trata bem todo mundo), vira uma verdadeira fera se é alvo de qualquer arrogância e ou estupidez. E parece que arrogância e estupidez eram os grandes atributos do gerente que foi atendê-lo.

Pois bem, meu pai não deixou barato. Com toda a razão, começou a gritar e a esbravejar com o tal gerente.

A moça do Caixa que estava me atendendo falou rindo para todos à sua volta:

– Ih gente, olha lá o Pai do Edmundo!!!!!!

Peguei meu troco às gargalhadas com a definição da mulher. Sem dizer nada, evidentemente.

Meu pai se diverte até hoje contando essa história para todo mundo. Eu, por minha vez, ganhei um irmão famoso!!!!
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Para terminar,  o Deslumbrante Poema da Deslumbrante Roberta Estrela D´Alva que ela leu ontem no Zap  e dedicou ao meu Pai.

Dança da morte –
Roberta Estrela D’Alva

Boom , e acabou
ou começou
o que restou
o que ficou
dor que chegou
dor que findou
roda girou
vento levou

a vela apagou
a chama ascendeu
a voz se calou
o corpo desceu

a saudade no peito não para, não cala , não sara
insiste não quer parar.

mas já sabíamos desde o começo
que essa vida é curta e tem seu preço
e o que vem depois eu desconheço
embora soubesse o fim já  desde  o berço

que a cada minuto, a cada segundo,
a cada palavra, a cada oração
caminhamos direta e inexoravelmente  nessa direção
e são tantas histórias
e são tantas feridas
e são de saudade
as lágrimas quentes agora vertidas
injustiças, inverdades, cometidas e ditas
pela não compreensão
da eternidade, da imortalidade
pela falta de fé e  ilusão
pois o retorno é inevitável
são só dois lados do mesmo som
morte e vida , vida e morte
matérias primas de toda criação

a carne se desfaz mas o espírito não
o flow  da vida segue,  o beat não para, só coração

a carne se desfaz mas o espírito não
o flow da vida segue, o beat não para, nem o coração!

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Que ele esteja bem lá no Céu e descanse de tanta correria aqui na Terra!!!

Beijo, Paizito Querido.

Fique com Deus, com seus amigos,  nossa família, mas dá sossego pra todo mundo aí cima, viu???

Parada Gay – Historinha Engraçada

Há somente  dois textos  que repito todos os anos.

Esse a seguir, às vésperas da Parada Gay, e outro, próximo ao dia da Consciência Negra.

Deveria repetir mais alguns; ocorrem-me três: Sobre o Papel do Herói (próximo ao Sete de Setembro), uma coletânea de Epitáfios(absolutamente hilários),  Finados, e sobre Pindura – Prática dos Estudantes de Direito de  Jantarem em Restaurantes em Agosto e não Pagarem a Conta.   Ao final deixo os Links.  Por enquanto, Parada Gay:

Parada Gay, alguns  anos atrás. Desde a primeira, fui a algumas edições. Som legal, muita alegria e, além de tudo, não custa nada prestigiar. Lembro-me quando queriam bater o récorde mundial de público. Além do som, havia a meta a ser cumprida. Fui até mais para fazer número e ajudar no récorde, que acabou mesmo sendo batido.

Pois bem, em uma das vezes, de dentro do carro, perto da Rua Cubatão, onde, segundo meus cálculos, deveria estar a marcha naquele momento, pergunto para um grupo de gays que vinha caminhando se o pessoal ainda permanecia pelas redondezas. Eles me informam que a marcha já devia ter chegado ao ponto final, na República, onde seriam encerrados os festejos.

Pensando em voz alta, lastimo. Um deles consola:

– Não desiste, não. Corre lá, quem sabe cê ainda não arranja um namoradinho!!!

Divertindo-me muito, nos dias seguintes, contei para todo mundo o episódio.  Meu pai riu muito!

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Conforme o Prometido, link dos textos que deveria postar todos os anos.

Papel do Herói, clique aqui

Para se divertir,

Pindura, clique aqui

Epitáfios, clique aqui

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Tenho postado pouca coisa aqui  no Trombone, mas estou escrevendo muitos microcontos.  Preciso ir passando esses textos pra cá.  São legais.  Deixa eu pegar fôlego.

De qualquer forma,  estou contente de não ter mantido a tradição desse post nessa data aqui no Trombone.

Sequestrou meu Pai? “Mata Ele”!

A propósito de noticia de há pouco no Jornal Nacional de marginais ligarem para  pessoas, dizendo  estarem com algum parente e exigirem quantias em dinheiro, conhecido como falso sequestro, história engraçada.

Sujeito recebeu o tal telefonema, o marginal informou que estava com seu pai e pedia dinheiro para libertá-lo .   Ele  foi taxativo:

–  Você está com meu pai?  Quer dinheiro?  Eu não vou dar dinheiro algum e pode matar o velho!

O bandido não imaginava que o pai da “vítima” já estava morto, de morte natural,  havia décadas.

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Esse  curto post  vai para Pawwlow, leitor do Trombone que aprecia meus Casos.

Cafezinho com Gabriel

A propósito do Globo Repórter de hoje sobre a Colômbia, ou, pegando carona no Globo Repórter, posto aqui mais um vez o Texto Cafezinho com Gabriel.

John era um garotão espanhol cabeludo, desses típicos cidadãos do mundo. Parece que o pai lhe dera esse nome exatamente para facilitar as coisas onde quer que ele resolvesse montar – ainda que por curtíssimo espaço de tempo – acampamento.

Ele era brilhante professor de Espanhol de um caótico curso organizado pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O curso, reitero, era o caos, mas o John, reitero, era ótimo. Para se ter uma idéia, havia uma turma que pagava regularmente, havia um professor, mas não havia sala de aula. Era uma coisa itinerante. Um dos locais arranjados frequentemente estava fechado. Nessas ocasiões, nos instalávamos na casa de uma das alunas que morava na vizinhança.

O espaço mais duradouro que ocupamos devia ser em uma casa, certamente sem Habite-se

Voltando ao John. Além de competente, ele era veloz. Veloz nas transformações em sua vida. Ele contou que já havia pertencido a uma organização religiosa de ultra-extrema-direita. Representando essa organização, ele travara longo debate com D. Pedro Cassaldáliga – Bispo do Araguaia – Adepto da teologia da libertação.

Alguns anos mais tarde, já então cabeludo e com roupas meio “hiposas”, ele estava no Memorial da América Latina. Encontra-se novamente com Cassaldáliga que o saudou animadamente e congratulou-se com John pela radical mudança. A inteligência e preparo do John já haviam impressionado o religioso. Com o novo visual, John ficou ainda mais encantador.

Cassaldáliga diz que está esperando um amigo e convida John para tomar um cafezinho com eles.

O amigo que ele estava esperando e que, de fato, apareceu para o café era Gabriel García Márquez.